A homogeneização de amostras é uma das etapas mais onipresentes no laboratório, mas frequentemente é a menos compreendida. Escolher entre um movimento orbital ou recíproco não é apenas uma questão de preferência, mas de física aplicada ao fluido e ao recipiente utilizado. Errar nessa escolha pode resultar em misturas incompletas, quebra de células sensíveis ou transbordamentos.
Agitação Orbital: O Poder do Vórtice
O movimento orbital descreve uma trajetória circular contínua. É a escolha padrão para a maioria das aplicações de biologia molecular e microbiologia. O segredo da eficiência aqui reside no diâmetro da órbita:
- Órbita de 3mm (Alta Frequência): Ideal para microplacas (96/384 poços). Devido ao pequeno diâmetro, ela consegue gerar um vórtice dentro do poço sem que o líquido atinja a vedação da placa.
- Órbitas Maiores (10mm a 20mm): Utilizadas para frascos maiores, como Erlenmeyers, onde é necessário um deslocamento maior do fluido para garantir a aeração em cultivos celulares.
Agitação Recíproca: Força de Cisalhamento
Diferente do círculo, o movimento recíproco é linear (vai e vem). Este tipo de agitação é indispensável para processos de extração química e separação em funis de decantação. Enquanto a agitação orbital "gira" o líquido, a recíproca cria um impacto nas extremidades do recipiente, gerando uma força de cisalhamento que separa fases imiscíveis com muito mais eficácia.
A Tecnologia Brushless: Durabilidade e Pureza
Independente do movimento, a motorização é o coração do equipamento. A adoção de motores DC sem escovas (Brushless) resolve dois problemas críticos: o desgaste mecânico (manutenção reduzida) e a contaminação por poeira de carvão. Em ambientes de sala limpa ou incubadoras, o motor brushless garante que nenhuma partícula externa interfira na pureza das amostras.
Seja para microtitulação de alta frequência ou extrações químicas pesadas, a engenharia por trás do movimento define a qualidade do seu dado final.
